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01 de Agosto de 2012 • 15:07
Com a mudança no comando do Grupo Estado — sai o diretor-presidente Silvio Genesini e retorna Francisco Mesquita Neto, agora como presidente executivo —, a companhia enfrenta o desafio de superar a ideia amplamente difundida no mercado de que a volta da família na gestão signifique uma alteração no modelo de administração. Plínio Villares Musetti, presidente do Conselho de Administração do grupo, ressalta que “não há um retorno da família Mesquita às operações”, mas que o novo presidente executivo deve oferecer “apoio à gestão profissional” (leia entrevista abaixo).
Em 2003, o Grupo Estado enfrentou a mais aguda reestruturação em sua história de 137 anos: na ocasião, todos os membros da família Mesquita que ocupavam cargos executivos ou de comando editorial foram substituídos por profissionais do mercado. A função da mudança era enxugar os custos e readequar o organograma de uma empresa que ganhava novos departamentos e cargos para acomodar os herdeiros. Quase uma década depois, o resultado foi uma melhoria significativa nas contas do grupo, mas permaneceu uma frustração: a nota emitida pelo grupo na ocasião falava que outro dos objetivos da alteração administrativa era aproveitar “as oportunidades que se oferecerão nos mercados de capitais e resultarão da abertura do setor de mídia”. Nem investidores estrangeiros se interessaram pelos negócios, nem houve uma oferta pública de ações da empresa. Discute-se, no mercado, se não seria esta a função de Chico Mesquita no novo posto de comando.
Plínio Villares Musetti Crédito: Divulgação/Clayton de Souza
Do anunciante para o leitor
O presidente do Conselho de Administração do Grupo Estado destaca que, mesmo com a mudança na presidência do grupo, o modelo de gestão ainda está sob os princípios de governança corporativa e que a meta é rentabilizar os novos suportes de conteúdo.
Meio & Mensagem ›› O retorno da família Mesquita ao comando direto das operações do Grupo Estado representa alguma alteração na política administrativa da companhia?
Plínio Villares Musetti ›› Não há “retorno da família Mesquita” às operações. O conselho de administração decidiu, por unanimidade e com o apoio de todos os acionistas, que um de seus membros, Francisco Mesquita Neto, assumisse a Presidência Executiva, apoiando a gestão profissional.
M&M ›› Essa mudança estava prevista, como estratégia, há quanto tempo e o que sinaliza em termos de governança e do papel do Conselho de Administração?
Musetti ›› Essa transição vinha sendo discutida nos últimos meses no Conselho, que permanece sob a presidência de um profissional de mercado. Todos os postos de direção executiva também permanecem com profissionais do mercado. A governança e o papel do conselho estão preservados.
M&M ›› Quais são os principais planos e as metas em curto e médio prazo para essa nova fase?
Musetti ›› A ênfase é na construção de um modelo de negócio sustentável, integrando papel e digital nos seus vários formatos e dispositivos de consumo de mídia. O jornalismo de qualidade e a força da marca vão migrar para esses novos dispositivos, em um modelo de negócio progressivamente sustentado pelo usuário final (conteúdo pago) e menos dependente da publicidade.